
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) obteve a condenação de dois homens na Comarca de Modelo por envolvimento no chamado “golpe dos nudes”. Nesse tipo de crime, o acusado cria perfis falsos em redes sociais com o intuito de se aproximar das vítimas e induzi-las a compartilhar imagens íntimas. Com esse material, os acusados ameaçam as vítimas para obter recursos financeiros.
A condenação envolveu casos distintos, um ocorreu em 2020 e outro em 2021, mas ambos contam com modus operandi semelhante. No primeiro caso, o réu foi condenado a quatro anos de prisão e três meses de detenção em regime inicial semiaberto por extorsão e falsa identidade. Ele também deve pagar R$ 1 mil à vítima em indenização e poderá recorrer da sentença em liberdade.
O segundo réu foi condenado a sete anos, um mês e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por extorsão e divulgação de pornografia. Além disso, ele foi condenado a pagar R$ 1.030 em indenização para a vítima.
O Promotor de Justiça responsável pela denúncia, Edisson de Melo Menezes, destaca a importância do trabalho investigativo da Polícia Civil para a elucidação dos casos. O delegado de Polícia, Joel Specht, reforçou que as condenações foram obtidas após denúncia oferecida pelo Ministério Público de Santa Catarina, com base nas provas produzidas durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Em 2021, o acusado, então com 22 anos, extorquiu a vítima, um homem residente da Comarca de Modelo. Inicialmente o réu criou uma conta falsa em uma rede social e abordou a vítima. De forma deliberada, utilizando um nome feminino e imagens falsas, o réu passou a trocar imagens íntimas com a vítima.
No dia seguinte, o acusado entrou em contato novamente com a vítima, desta vez por meio de outros dois números de telefone. No primeiro contato, o réu alegava ser o psicólogo da mulher e exigia o pagamento de R$ 8 mil para consertar o celular e o computador dela, que foram supostamente quebrados pelos pais dela ao descobrirem a troca de mensagens íntimas. No segundo contato, o acusado se passou por um policial civil e exigiu o pagamento de R$ 7.898, supostamente para evitar a investigação do caso. A vítima, preocupada com a situação, fez uma transferência de R$ 1 mil para o acusado.
Em 2020, o acusado, que residia em Viamão, no Rio Grande do Sul, também criou uma conta falsa em nome de mulher em uma rede social com o intuito de extorquir um homem que também residia na Comarca de Modelo. De forma semelhante, o acusado passou a conversar com a vítima e a trocar imagens íntimas fingindo ser uma jovem. Nesse contexto, a vítima chegou a fazer diversas transferências para o criminoso no valor de R$ 1.030. Como pretexto, o criminoso utilizou diversos argumentos como o suposto conserto de um celular e uma viagem.
Posteriormente, o réu fez contato com a vítima por outro número de telefone, fingindo ser um delegado de polícia e exigindo o pagamento de R$ 12.800. Supostamente o valor seria para cobrir os custos de internação da jovem, que estaria em surto psicótico durante o período em que a troca de imagens íntimas ocorreu.

